__ O inferno dos vivos não é algo que será;se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos.Existem duas maneiras de não sofrer: a primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que , no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo e abrir espaços. ( Italo Calvino - As cidades invisíveis)
Entre o Tempo e a Sensibilidade Há um instante sutil em que a vida revela: não somos mais os adolescentes febris que corriam atrás de cada sopro de emoção. Mas isso não é perda é uma conquista silenciosa. A sensibilidade não se apaga; ela muda de voz. Deixa de gritar e passa a sussurrar, mais funda, mais serena. O tempo, tantas vezes acusado de nos roubar existência, mostra-se mestre paciente. Ele ensina que não é preciso sofrer por antecipação, nem temer o silêncio entre uma batida e outra do coração. Ele diz: “Sinta com inteireza, mas não se apresse; permita que as coisas floresçam no seu próprio ritmo.” Repensar a sensibilidade não é diminuí-la, é afiná-la. É aprender que a paixão pela vida pode ser intensa mesmo quando caminha devagar. É perceber que o mundo segue belo, e que ouvir o seu pulso exige, às vezes, mais escuta do que urgência. Crescer existencialmente talvez, seja isso: descobrir que o agora pode ser vasto; que a espera pode ser fértil; e que a sensibil...
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