"Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, desabam no abismo.Que sabes tu do fim?Se temes que teu mistério seja uma noite, enche-o de estrelas.Conserva a ilusão de que teu vôo te leva sempre para o mais alto.No deslumbramento da ascensãose pressentires que amanhã estarás mudoesgota, como um pássaro, as canções que tens na garganta.Canta. Canta para conservar a ilusão de festa e de vitória.Talvez as canções adormeçam as ferasque esperam devorar o pássaro.Desde que nasceste não és mais que um vôo no tempo.Rumo do céu?Que importa a rota.Voa e canta enquanto resistirem as asas."(Menotti Del Picchia)
Entre o Tempo e a Sensibilidade Há um instante sutil em que a vida revela: não somos mais os adolescentes febris que corriam atrás de cada sopro de emoção. Mas isso não é perda é uma conquista silenciosa. A sensibilidade não se apaga; ela muda de voz. Deixa de gritar e passa a sussurrar, mais funda, mais serena. O tempo, tantas vezes acusado de nos roubar existência, mostra-se mestre paciente. Ele ensina que não é preciso sofrer por antecipação, nem temer o silêncio entre uma batida e outra do coração. Ele diz: “Sinta com inteireza, mas não se apresse; permita que as coisas floresçam no seu próprio ritmo.” Repensar a sensibilidade não é diminuí-la, é afiná-la. É aprender que a paixão pela vida pode ser intensa mesmo quando caminha devagar. É perceber que o mundo segue belo, e que ouvir o seu pulso exige, às vezes, mais escuta do que urgência. Crescer existencialmente talvez, seja isso: descobrir que o agora pode ser vasto; que a espera pode ser fértil; e que a sensibil...
Comentários
Pensei em como ela é uma pequena "coisa"- não num sentido pejorativo-, "coisa" por sua brevidade, por ser pequena demais em seu trajeto. Não é pessimismo; na verdade, eu a vejo tão imensa, tão intensa, tão linda, tão vida que não cabe em sua brevidade. Aproveitá-la ao máximo é nossa missão maior; "rumo do céu? que importa a rota?".
Beijo imenso!